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Fonte:
Diário da Serra (Mato Grosso)
Data: 30/10/00
Ciclo
de palestras é encerrado com dúvidas e propostas
Uma notícia boa foi a possibilidade
de liberação de US 230 milhões para investimentos.
Entretanto, parte dos indígenas é contrária.

Como
aconteceu no primeiro dia do I Seminário Estadual de Ecoturismo Indígena,
na última sexta-feira, o público foi bastante numeroso e as palestras
muito concorridas no último sábado, quando o evento foi encerrado.
Ontem, as palestras abordaram temas sobre “Os Recursos Culturais e o
Ecoturismo” e “Ecoturismo Indígena como Fonte Alternativa Econômica
e sua Perspectiva”, na parte da manhã. Os palestrantes foram o secretário
de Estado de Cultura, Jurandir Antônio Francisco e o administrador regional
da FUNAI em Tangará da Serra, Daniel Mateño Cabixi, para o primeiro
tema, e o coordenador do PROECOTUR, Silbene de Almeida; do procurador
geral dos direitos do cidadão, José Alexandre Pinto Nunes; do presidente
da ECOBRASIL, Roberto Mourão; e Maria da Conceição Neves, presidente
da Associação Pataxó de Ecoturismo.
Já durante a tarde, os temas versaram sobre “A Política Indígena na
Atual Conjuntura”, que teve como palestrantes o assessor da presidência
da FUNAI, Francisco Magalhães, além de André Ramos de Oliveira, da FUNAI
de Brasília. Para o desfecho houve a plenária aberta e as considerações.
DINHEIRO - O coordenador do PROECOTUR, Silbene Almeida, afirmou que
a União está disposta a liberar U$ 20 milhões para a execução de projetos
de ecoturismo em toda a Amazônia Legal, fora os U$ 210 milhões previstos
em projetos que já tramitam através do BID Pantanal. Os recursos seriam
utilizados em obras de infra-estrutura, capacitação de profissionais
da área de turismo, treinamento aos próprios indígenas, e programas
de preservação ambiental. “Já enviamos uma carta de intenções ao presidente
da FUNAI e temos um projeto piloto”, afirmou o coordenador do evento,
Gonçalo Poquiviki, da FUNAI de Tangará da Serra.
A exploração dos pontos turísticos indígenas na região de Tangará da
Serra e reserva Paresi, no entanto, continua sendo um tema ainda não
esgotado em termos de discussões. O seminário encerrado ontem resultou
na Carta de Tangará, onde estão os critérios definidos para uma política
direcionada ao ecoturismo em terras indígenas.
DÚVIDAS - Apesar do grande volume de informações e da diversidade temática
dos debates, o seminário não foi capaz de reverter o ceticismo da comunidade
indígena, que apesar de ver com bons olhos a possibilidade de ter no
ecoturismo uma alternativa econômica considerável, ainda demonstra grande
preocupação em relação à saúde nas aldeias, à degradação ambiental e
à iminência de desagregação tribal. “A presença do homem branco nas
aldeias vai trazer doenças para o índio. E depois, tem a falta de respeito
com o meio ambiente. Já tivemos experiências que não foram nada boas”,
disse o cacique Acelino Noizokaê, da aldeia Paresi do Salto da Mulher.
O líder indígena é declaradamente contrário à exploração turística em
terras indígenas.
Já o administrador regional da FUNAI em Tangará, Daniel Mateño Cabixi,
que é índio paresi, vê com reservas a questão da exploração turística
em terras indígenas, apesar de vislumbrar a possibilidade de acertos.
“Não se trata apenas em debater, neste evento, o turismo pura e simplesmente,
mas sim um turismo que possa estabelecer uma nova relação social, humana
e ambiental, que seja palpável aos segmentos sociais indígenas envolvidos.
Devemos considerar a longa trajetória histórica desses povos na sua
relação com a sociedade majoritária”, observou, ressaltando em seguida
que há um conjunto de seqüelas políticas, socioculturais e econômicas
que deve ser considerado. Para Cabixi, é salutar que seja considerada
a possibilidade de um turismo sustentado, que resulte numa somatória
quantitativa e qualitativa, em todos os aspectos, para as comunidades
e as terras indígenas.
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