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Fonte: Diário da Serra (Mato Grosso)
Data: 21/09/00

Órgãos públicos se reúnem para discutir venda ilegal de animais silvestres

Uma campanha de conscientização sobre a proibição da venda de animais silvestres será desenvolvida em Tangará.
Órgãos ambientalistas discutem com os índios uma solução para coibir a venda de animais silvestres.   

         

Ontem estiveram reunidos no prédio da Promotoria de Justiça de Tangará da Serra representantes do IBAMA de Barra do Bugres, da FUNAI, Unidade Regional da FEMA em Tangará, Promotoria de Justiça Civil e Criminal, Policia Militar e Civil, Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e Prefeitura Municipal de Tangará da Serra, discutindo a comercialização de animais silvestres que vem sendo praticada principalmente por alguns membros da comunidade indígena tangaraense.  “Queremos resolver assuntos não só da legislação indígena, mas também o problema social sobre a questão das vendas de animais silvestres. A intenção é fazer uma parceria e viabilizar projetos econômicos para que os índios tenham uma possibilidade melhor de vida e não precisem utilizar animais para garantir sobrevivência”, afirmou Alzira Papadimacopoulos Nogueira, chefe da Unidade Regional da FEMA em Tangará. “Queremos trabalhar no sentido de conscientizar a população indígena para não praticar esse tipo de atividade, mesmo porque é crime e a própria sociedade não índia, por que tem gente da sociedade não índia que pede aos índios garrafadas, onde eles tem que sacrificar o animal matando-o para retirar algumas partes e fabricar os remédios. Desta forma a sociedade não índia acaba estimulando os índios a praticarem esse ato”, completou dizendo que existem muitas pessoas comprando animais silvestres e a sociedade precisa mudar a sua postura. “É muito fácil criticarmos os índios, só que nós não índios estamos estimulando eles a fazerem isso”, afirmou dizendo que será desenvolvida pelos órgãos que estiveram reunidos uma grande campanha de conscientização sobre animais silvestres. “A nossa campanha irá abranger o cidadão brasileiro, por que todos nós somos cidadãos e perante a lei somos todos iguais. Portanto, seremos muito rigorosos e qualquer pessoa que seja pega vendendo ou comprando animais silvestres será punida conforme a lei”, disse Alzira. Conforme Daniel Cabixi, a FUNAI está discutindo alguns princípios básicos para combater a venda de animais silvestre praticada pelos índios. “Entretanto, são necessárias outras alternativas que possam ser a contrapartida para a comunidade indígena, ma vez que a comunidade indígena Paresi tem uma vida extremamente carente e muitas necessidades, então, partindo desse princípio é que estamos solicitando alguns fatores para que depois possamos dar uma resposta satisfatória que seja de acordo com as vontades dos índios”, explicou. Daniel Cabixi comentou ainda que nem todos os membros da sociedade indígena são conscientes da proibição da venda de animais silvestre. “Na aldeia existem índios de diversos níveis de integração na sociedade e que vivem completamente suas culturas nas aldeias, então é injusto dizer que os índios tem um pensamento linear quanto a ilegalidade da venda de animais silvestres”, afirmou.     
Segundo a Promotora Civil do Ministério Público, Dr. Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza, a intenção da promotoria é unir todos os órgão ligados ao meio ambiente e a parte criminal para que possa estar sendo feito todo um trabalho de conscientização e prevenção, orientando não só os índios que vendem animais, mas toda a população que comete a mesma infração comprando ou vendendo animais silvestres. “O maior objetivo é a conscientização da criminalidade dessa conduta para amenizarmos essa situação”, disse a promotora. Jerônimo Vieira de Azevedo, responsável pelo posto do IBAMA de Barra do Bugres disse que a união dos órgãos públicos de Tangará da Serra  é fundamental e que o IBAMA está disposto a qualquer hora ajudar no desenvolvimento do projeto de conscientização palestrando e orientando. “Mas também estaremos fiscalizando toda a região, ajudando a combater a venda de animais silvestres por que cada qual deve viver no seu lugar, o ser humano dentro de casa e o animal na selva” finalizou.

 

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