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AGROTÓXICOS LEI
N. 7.802 - DE 11 DE JULHO DE 1989 Dispõe sobre a pesquisa,
a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento,
a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação,
o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle,
a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras
providências O
Presidente da República. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte Lei: Art.
1° A pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte,
o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação,
a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação,
o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins,
serão regidos por esta Lei. Art.
2° Para os efeitos desta Lei, consideram-se:
I -- agrotóxicos e afins:
a) os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos,
destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento e
produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas,
e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais,
cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las
da ação danosa de seres vivos considerados nocivos;
b) substâncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes,
estimuladores e inibidores de crescimento.
II -- componentes: os princípios
ativos, os produtos técnicos, suas matérias-primas, os ingredientes inertes e
aditivos usados na fabricação de agrotóxicos e afins. Art.
3° Os agrotóxicos, seus componentes e afins, de acordo com definição do artigo
2.o desta Lei, só poderão ser produzidos, exportados, importados, comercializados
e utilizados, se previamente registrados em órgão federal, de acordo com as diretrizes
e exigências dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde, do meio
ambiente e da agricultura. §
1° Fica criado o registro especial temporário para agrotóxicos, seus componentes
e afins, quando se destinarem à pesquisa e a experimentação.
§ 2º Os registrantes e titulares
de registro fornecerão, obrigatoriamente, à União, as inovações concernentes aos
dados fornecidos para o registro de seus produtos .
§ 3º Entidades públicas e
privadas de ensino, assistência técnica e pesquisa poderão realizar experimentação
e pesquisas, e poderão fornecer laudos no campo da agronomia, toxicologia, resíduos,
química e meio ambiente. §
4º Quando organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação
ou meio ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos
e convênios, alertarem para riscos ou desaconselharem o uso de agrotóxicos, seus
componentes e afins, caberá à autoridade competente tomar imediatas providências,
sob pena de responsabilidade. §
5º 0 registro para novo produto agrotóxico, seus componentes e afins, será
concedido se a sua ação tóxica sobre o ser humano e o meio ambiente for comprovadamente
igual ou menor do que a daqueles já registrados, para o mesmo fim, segundo os
parâmetros fixados na regulamentação desta Lei.
§ 6º Fica proibido o registro
de agrotóxicos, seus componentes e afins:
a) para os quais o Brasil não disponha de métodos para desativação
de seus componentes de modo a impedir que os seus resíduos remanescentes provoquem
riscos ao meio ambiente e à saúde pública;
b) para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil;
c) que revelem
características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas, de acordo com os
resultados atualizados de experiências da comunidade científica;
d) que provoquem distúrbios hormonais, danos ao aparelho reprodutor,
de acordo com procedimentos e experiências atualizadas na comunidade científica;
e) que se revelem
mais perigosos para o homem do que os testes de laboratório, com animais, tenham
podido demonstrar, segundo critérios técnicos e científicos atualizados;
f) cujas características causem danos ao meio ambiente. Art.
4º As pessoas físicas e jurídicas que sejam prestadoras de serviços na aplicação
de agrotóxicos, seus componentes e afins, ou que os produzam, importem, exportem
ou comercializem, ficam obrigadas a promover os seus registros nos órgãos competentes,
do Estado ou do Município, atendidas as diretrizes e exigências dos órgãos federais
responsáveis que atuam nas áreas da saúde, do meio ambiente e da agricultura.
Parágrafo
único. São prestadoras de serviços as pessoas físicas e jurídicas que
executam trabalhos de prevenção, destruição e controle de seres vivos, considerados
nocivos, aplicando agrotóxicos, seus componentes e afins. Art.
5º Possuem legitimidade para requerer o cancelamento ou a impugnação, em nome
próprio, do registro de agrotóxicos e afins, argüindo prejuízos ao meio ambiente,
à saúde humana e dos animais: I -- entidades de classe,
representativas de profissões ligadas ao setor;
II -- partidos políticos, com representação
no Congresso Nacional; III
-- entidades legalmente constituídas para a defesa dos interesses difusos relacionados
à proteção do consumidor, do meio ambiente e dos recursos naturais.
§ 1º Para efeito de registro e pedido de cancelamento ou impugnação de agrotóxicos
e afins, todas as informações toxicológicas de contaminação ambiental e comportamento
genético, bem como os efeitos no mecanismo hormonal, são de responsabilidade do
estabelecimento registrante ou da entidade impugnante e devem proceder de laboratórios
nacionais ou internacionais. §
2º A regulamentação desta Lei estabelecerá condições para o processo de impugnação
ou cancelamento do registro, determinando que o prazo de tramitação não exceda
90 (noventa) dias e que os resultados apurados sejam publicados.
§ 3º Protocolado o pedido
de registro, será publicado no "Diário Oficial" da União um resumo do
mesmo. Art.
6º As embalagens dos agrotóxicos e afins deverão atender, entre outros, aos
seguintes requisitos: I
-- devem ser projetadas e fabricadas de forma a impedir qualquer vazamento, evaporação,
perda ou alteração de seu conteúdo; II
-- os materiais de que forem feitas devem ser insuscetíveis de ser atacados pelo
conteúdo ou de formar com ele combinações nocivas ou perigosas;
III -- devem ser suficientemente
resistentes em todas as suas partes, de forma a não sofrer enfraquecimento e a
responder adequadamente às exigências de sua normal conservação;
IV -- devem ser providas de um lacre
que seja irremediavelmente destruído ao ser aberto pela primeira vez.
Parágrafo único. Fica
proibido o fracionamento ou a reembalagem de agrotóxicos e afins para fins de
comercialização, salvo quando realizados nos estabelecimentos produtores dos mesmos. Art.
7º Para serem vendidos ou expostos à venda em todo Território Nacional, os
agrotóxicos e afins ficam obrigados a exibir rótulos próprios, redigidos em português,
que contenham, entre outros, os seguintes dados:
I -- indicações para a identificação
do produto, compreendendo:
a) o nome do produto;
b) o nome e a percentagem de cada princípio ativo e a percentagem
total dos ingredientes inertes que contem;
c) a quantidade de agrotóxicos, componentes ou afins, que a embalagem
contém, expressa em unidades de peso ou volume, conforme o caso;
d) o nome e o endereço do fabricante e do importador;
e) os números de registro do produto e do estabelecimento fabricante
ou importador; f)
o número do lote ou da partida;
g) um resumo dos principais usos do produto;
h) a classificação toxicológica do produto.
II -- instruções para utilização,
que compreendam:
a) a data de fabricação e de vencimento;
b) o intervalo de segurança, assim entendido o tempo que deverá
transcorrer entre a aplicação e a colheita, uso ou consumo, a semeadura ou plantação,
e a semeadura ou plantação do cultivo seguinte, conforme o caso;
c) informações sobre o modo de utilização, incluídas, entre outras:
a indicação de onde ou sobre o que deve ser aplicado; o nome comum da praga ou
enfermidade que se pode com ele combater ou os efeitos que se pode obter; a época
em que a aplicação deve ser feita; o numero de aplicações e o espaçamento entre
elas, se for o caso; as doses e os limites de sua utilização;
d ) informações sobre os equipamentos a serem utilizados e sobre
o destino final das embalagens. III
-- informações relativas aos perigos potenciais, compreendidos:
a) os possíveis efeitos prejudiciais sobre a saúde do homem, dos
animais e sobre o meio ambiente;
b) precauções para evitar danos a pessoas que os aplicam ou manipulam
e a terceiros, aos animais domésticos, fauna, flora e meio ambiente;
c) símbolos de perigo e frases de advertência padronizados, de acordo com a classificação
toxicológica do produto;
d) instruções para o caso de acidente, incluindo sintomas de alarme,
primeiros socorros, antídotos e recomendações para os médicos.
IV -- recomendação para que o usuário
leia o rótulo antes de utilizar o produto.
§ 1° Os textos e símbolos
impressos nos rótulos serão claramente visíveis e facilmente legíveis em condições
normais e por pessoas comuns. §
2º Fica facultada a inscrição, nos rótulos, de dados não estabelecidos como
obrigatórios, desde que:
I -- não dificultem a visibilidade e a compreensão dos dados obrigatórios;
II -- não contenham:
a)
afirmações ou imagens que possam induzir o usuário a erro quanto à natureza, composição,
segurança e eficácia do produto, e sua adequação ao uso;
b) comparações falsas ou equivocas com outros produtos;
c) indicações que contradigam as informações obrigatórias;
d)
declarações de propriedade relativas à inoqüidade tais como "seguro",
"não venenoso", "não tóxico"; com ou sem uma frase complementar,
como: "quando utilizado segundo as instruções";
e ) afirmações de que o produto é recomendado por qualquer órgão
do Governo . §
3º Quando, mediante aprovação do órgão competente, for juntado folheto complementar
que amplie os dados do rótulo, ou que contenha dados que obrigatoriamente deste
devessem constar, mas que nele não couberam, pelas dimensões reduzidas da embalagem,
observar-se-á o seguinte:
I -- deve-se incluir no rótulo frase que recomende a leitura do
folheto anexo, antes da utilização do produto;
II -- em qualquer hipótese, os símbolos de perigo, o nome do produto,
as precauções e instruções de primeiros socorros, bem como o nome e o endereço
do fabricante ou importador devem constar tanto do rótulo como do folheto. Art.
8º A propaganda comercial de agrotóxicos, componentes e afins, em qualquer
meio de comunicação, conterá, obrigatoriamente, clara advertência sobre os riscos
do produto à saúde dos homens, animais e ao meio ambiente, e observará o seguinte:
I -- estimulará
os compradores e usuários a ler atentamente o rótulo e, se for o caso, o folheto,
ou a pedir que alguém os leia para eles, se não souberem ler;
II -- não conterá nenhuma representação
visual de práticas potencialmente perigosas, tais como a manipulação ou aplicação
sem equipamento protetor, o uso em proximidade de alimentos ou em presença de
crianças; III
-- obedecerá ao disposto no inciso II, do § 2.o, do artigo 7.o, desta Lei. Art.
9º No exercício de sua competência, a União adotará as seguintes providências:
I -- legislar
sobre a produção, registro, comércio interestadual, exportação, importação, transporte,
classificação e controle tecnológico e toxicológico;
II -- controlar e fiscalizar os
estabelecimentos de produção, importação e exportação;
III -- analisar os produtos agrotóxicos,
seus componentes e afins, nacionais e importados;
IV -- controlar e fiscalizar a produção,
a exportação e a importação. Art.
10 Compete aos Estados e ao Distrito Federal, nos termos dos artigos 23 e
24 da Constituição Federal, legislar sobre o uso, a produção, o consumo, o comércio
e o armazenamento dos agrotóxicos, seus componentes e afins, bem como fiscalizar
o uso, o consumo, o comércio, o armazenamento e o transporte interno. Art.
11 Cabe ao Município legislar supletivamente sobre o uso e o armazenamento
dos agrotóxicos, seus componentes e afins. Art.
12 A União, através dos órgãos competentes, prestará o apoio necessário
às ações de controle e fiscalização, à Unidade da Federação que não dispuser dos
meios necessários. Art.
13 A venda de agrotóxicos e afins aos usuários será feita através de
receituário próprio, prescrito por profissionais legalmente habilitados, salvo
casos excepcionais que forem previstos na regulamentação desta Lei. Art.
14 As responsabilidades administrativas, civil e penal, pelos danos
causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, quando a produção, a comercialização,
a utilização e o transporte não cumprirem o disposto nesta Lei, na sua regulamentação
e nas legislações estaduais e municipais, cabem:
a) ao profissional, quando comprovada
receita errada, displicente ou indevida: b)
ao usuário ou a prestador de serviços, quando em desacordo com o receituário;
c) ao
comerciante, quando efetuar venda sem o respectivo receituário ou em desacordo
com a receita; d)
ao registrante que, por dolo ou por culpa, omitir informações ou fornecer informações
incorretas; e)
ao produtor que produzir mercadorias em desacordo com as especificações constantes
do registro do produto, do rótulo, da bula, do folheto e da propaganda;
f) ao empregador, quando não fornecer
e não fizer manutenção dos equipamentos adequados à proteção da saúde dos trabalhadores
ou dos equipamentos na produção, distribuição e aplicação dos produtos. Art.
15 Aquele que produzir, comercializar, transportar, aplicar ou prestar
serviço na aplicação de agrotóxicos, seus componentes e afins, descumprindo as
exigências estabelecidas nas leis e nos seus regulamentos, ficará sujeito à pena
de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, além da multa de 100 (cem) a 1.000
(mil) MVR. Em caso de culpa, será punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três)
anos, além da multa de 50 (cinqüenta) a 500 (quinhentos) MVR. Art.
16 O empregador, profissional responsável ou o prestador de serviço,
que deixar de promover as medidas necessárias de proteção à saúde e ao meio ambiente,
estará sujeito à pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, além de multa
de 100 (cem) a 1.000 (mil) MVR. Em caso de culpa, será punido com pena de reclusão
de 1 (um) a 3 (três) anos, além de multa de 50 (cinqüenta) a 500 (quinhentos)
MVR. Art.
17 Sem prejuízo das responsabilidades civil e penal cabíveis, a infração
de disposições desta Lei acarretará, isolada ou cumulativamente, nos termos previstos
em regulamento, independente das medidas cautelares de embargo de estabelecimento
e apreensão do produto ou alimentos contaminados, a aplicação das seguintes sanções:
I -- advertência;
II --
multa de até 1.000 (mil) vezes o Maior Valor de Referência--MVR, aplicável em
dobro em caso de reincidência; III
-- condenação de produto; IV
-- inutilização de produto; V
-- suspensão de autorização, registro ou licença;
VI -- cancelamento de autorização,
registro ou licença; VII
-- interdição temporária ou definitiva de estabelecimento;
VIII --- destruição de vegetais,
partes de vegetais e alimentos, com resíduos acima do permitido;
IX -- destruição de vegetais, partes
de vegetais e alimentos, nos quais tenha havido aplicação de agrotóxicos de uso
não autorizado, a critério do órgão competente.
Parágrafo único. A
autoridade fiscalizadora fará a divulgação das sanções impostas aos infratores
desta Lei. Art.
18 Após a conclusão do processo administrativo, os agrotóxicos e afins
apreendidos como resultado da ação fiscalizadora, serão inutilizados ou poderão
ter outro destino, a critério da autoridade competente.
Parágrafo único. Os
custos referentes a quaisquer dos procedimentos mencionados neste artigo correrão
por conta do infrator. Art.
19 O Poder Executivo desenvolverá ações de instrução, divulgação e esclarecimento,
que estimulem o uso seguro e eficaz dos agrotóxicos, seus componentes e afins,
com o objetivo de reduzir os efeitos prejudiciais para os seres humanos e o meio
ambiente e de prevenir acidentes decorrentes de sua utilização imprópria. Art.
20 As empresas e os prestadores de serviços que já exercem atividades
no ramo de agrotóxicos, seus componentes e afins, têm o prazo de até 6 (seis)
meses, a partir da regulamentação desta Lei, para se adaptarem às suas exigências.
Parágrafo
único. Aos titulares do registro de produtos agrotóxicos que têm como
componentes os organoclorados será exigida imediata reavaliação de seu registro,
nos termos desta Lei. Art.
21 O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 90 (noventa)
dias, contado da data de sua publicação. Art.
22 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art.
23 Revogam-se as disposições em contrário. *
Ver Dec. no. 98816 de 11/01/90, que regulamenta a presente Lei. |