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ANA
- AGENCIA NACIONAL DE ÁGUA
LEI
No 9.984, DE 17 DE JULHO DE 2000 Dispõe sobre a criação da Agência Nacional
de Águas - ANA, entidade federal de implementação da Política Nacional de
Recursos Hídricos e de coordenação do Sistema Nacional de Gerenciamento de
Recursos Hídricos, e dá outras providências O
V I C E-P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A no exercício
do cargo de P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A Faço saber que
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO
I Dos Objetivos Art.
1o Esta Lei cria a Agência Nacional de Águas - ANA, entidade federal de implementação
da Política Nacional de Recursos Hídricos, integrante do Sistema Nacional de Gerenciamento
de Recursos Hídricos, estabelecendo regras para a sua atuação, sua estrutura
administrativa e suas fontes de recursos. CAPÍTULO
II Da Criação, Natureza Jurídica e Competências da Agência Nacional
de Águas - ANA Art.
2o Compete ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos promover a articulação
dos planejamentos nacional, regionais, estaduais e dos setores usuários elaborados
pelas entidades que integram o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
e formular a Política Nacional de Recursos Hídricos, nos termos da Lei no 9.433,
de 8 de janeiro de 1997. Art. 3o Fica criada a Agência Nacional
de Águas - ANA, autarquia sob regime especial, com autonomia administrativa e
financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de implementar,
em sua esfera de atribuições, a Política Nacional de Recursos Hídricos, integrando
o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Parágrafo único. A ANA terá sede e foro no Distrito Federal, podendo instalar
unidades administrativas regionais. Art. 4o A atuação da ANA obedecerá
aos fundamentos, objetivos, diretrizes e instrumentos da Política Nacional de
Recursos Hídricos e será desenvolvida em articulação com órgãos e entidades públicas
e privadas integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos,
cabendo-lhe: I - supervisionar, controlar e avaliar as
ações e atividades decorrentes do cumprimento da legislação federal pertinente
aos recursos hídricos; II - disciplinar, em caráter normativo,
a implementação, a operacionalização, o controle e a avaliação dos instrumentos
da Política Nacional de Recursos Hídricos; III - (VETADO)
IV - outorgar, por intermédio de autorização, o direito de
uso de recursos hídricos em corpos de água de domínio da União, observado o disposto
nos arts. 5o, 6o, 7o e 8o; V - fiscalizar os usos de recursos
hídricos nos corpos de água de domínio da União; VI - elaborar
estudos técnicos para subsidiar a definição, pelo Conselho Nacional de Recursos
Hídricos, dos valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos de domínio
da União, com base nos mecanismos e quantitativos sugeridos pelos Comitês
de Bacia Hidrográfica, na forma do inciso VI do art. 38 da Lei no 9.433, de 1997;
VII - estimular e apoiar as iniciativas voltadas para a criação
de Comitês de Bacia Hidrográfica; VIII - implementar, em
articulação com os Comitês de Bacia Hidrográfica, a cobrança pelo uso de recursos
hídricos de domínio da União; IX - arrecadar, distribuir
e aplicar receitas auferidas por intermédio da cobrança pelo uso de recursos hídricos
de domínio da União, na forma do disposto no art. 22 da Lei no 9.433, de 1997;
X - planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar
os efeitos de secas e inundações, no âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento
de Recursos Hídricos, em articulação com o órgão central do Sistema Nacional de
Defesa Civil, em apoio aos Estados e Municípios; XI - promover
a elaboração de estudos para subsidiar a aplicação de recursos financeiros da
União em obras e serviços de regularização de cursos de água, de alocação e distribuição
de água, e de controle da poluição hídrica, em consonância com o estabelecido
nos planos de recursos hídricos; XII - definir e fiscalizar
as condições de operação de reservatórios por agentes públicos e privados, visando
a garantir o uso múltiplo dos recursos hídricos, conforme estabelecido nos planos
de recursos hídricos das respectivas bacias hidrográficas;
XIII - promover a coordenação das atividades desenvolvidas no âmbito da rede hidrometeorológica
nacional, em articulação com órgãos e entidades públicas ou privadas que a integram,
ou que dela sejam usuárias; XIV - organizar, implantar
e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos;
XV - estimular a pesquisa e a capacitação de recursos humanos para a gestão de
recursos hídricos; XVI - prestar apoio aos Estados na criação
de órgãos gestores de recursos hídricos; XVII - propor
ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos o estabelecimento de incentivos, inclusive
financeiros, à conservação qualitativa e quantitativa de recursos hídricos.
§ 1o Na execução das competências a que se refere o
inciso II deste artigo, serão considerados, nos casos de bacias hidrográficas
compartilhadas com outros países, os respectivos acordos e tratados.
§ 2o As ações a que se refere o inciso X deste artigo, quando envolverem
a aplicação de racionamentos preventivos, somente poderão ser promovidas mediante
a observância de critérios a serem definidos em decreto do Presidente da República.
§ 3o Para os fins do disposto no inciso XII deste artigo,
a definição das condições de operação de reservatórios de aproveitamentos hidrelétricos
será efetuada em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico - ONS.
§ 4o A ANA poderá delegar ou atribuir a agências de
água ou de bacia hidrográfica a execução de atividades de sua competência, nos
termos do art. 44 da Lei no 9.433, de 1997, e demais dispositivos legais aplicáveis.
§ 5o (VETADO) § 6o A aplicação
das receitas de que trata o inciso IX será feita de forma descentralizada, por
meio das agências de que trata o Capítulo IV do Título II da Lei no 9.433,
de 1997, e, na ausência ou impedimento destas, por outras entidades pertencentes
ao Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
§ 7o Nos atos administrativos de outorga de direito de uso de recursos
hídricos de cursos de água que banham o semi-árido nordestino, expedidos nos termos
do inciso IV deste artigo, deverão constar, explicitamente, as restrições decorrentes
dos incisos III e V do art. 15 da Lei no 9.433, de 1997. Art.
5o Nas outorgas de direito de uso de recursos hídricos de domínio da União,
serão respeitados os seguintes limites de prazos, contados da data de publicação
dos respectivos atos administrativos de autorização: I
- até dois anos, para início da implantação do empreendimento objeto da outorga;
II - até seis anos, para conclusão da implantação do empreendimento
projetado; III - até trinta e cinco anos,
para vigência da outorga de direito de uso. § 1o
Os prazos de vigência das outorgas de direito de uso de recursos hídricos serão
fixados em função da natureza e do porte do empreendimento, levando-se em consideração,
quando for o caso, o período de retorno do investimento.
§ 2o Os prazos a que se referem os incisos I e II poderão ser ampliados,
quando o porte e a importância social e econômica do empreendimento o justificar,
ouvido o Conselho Nacional de Recursos Hídricos. § 3o
O prazo de que trata o inciso III poderá ser prorrogado, pela ANA, respeitando-se
as prioridades estabelecidas nos Planos de Recursos Hídricos.
§ 4o As outorgas de direito de uso de recursos hídricos para concessionárias
e autorizadas de serviços públicos e de geração de energia hidrelétrica vigorarão
por prazos coincidentes com os dos correspondentes contratos de concessão ou atos
administrativos de autorização. Art. 6o A ANA poderá emitir
outorgas preventivas de uso de recursos hídricos, com a finalidade de declarar
a disponibilidade de água para os usos requeridos, observado o disposto no art.
13 da Lei no 9.433, de 1997. § 1o A outorga preventiva
não confere direito de uso de recursos hídricos e se destina a reservar a vazão
passível de outorga, possibilitando, aos investidores, o planejamento de empreendimentos
que necessitem desses recursos. § 2o O prazo de
validade da outorga preventiva será fixado levando-se em conta a complexidade
do planejamento do empreendimento, limitando-se ao máximo de três anos, findo
o qual será considerado o disposto nos incisos I e II do art. 5o. Art.
7o Para licitar a concessão ou autorizar o uso de potencial de energia hidráulica
em corpo de água de domínio da União, a Agência Nacional de Energia Elétrica -
ANEEL deverá promover, junto à ANA, a prévia obtenção de declaração de reserva
de disponibilidade hídrica. § 1o Quando
o potencial hidráulico localizar-se em corpo de água de domínio dos Estados ou
do Distrito Federal, a declaração de reserva de disponibilidade hídrica será obtida
em articulação com a respectiva entidade gestora de recursos hídricos.
§ 2o A declaração de reserva de disponibilidade hídrica será transformada
automaticamente, pelo respectivo poder outorgante, em outorga de direito de uso
de recursos hídricos à instituição ou empresa que receber da ANEEL a concessão
ou a autorização de uso do potencial de energia hidráulica.
§ 3o A declaração de reserva de disponibilidade hídrica obedecerá ao disposto
no art. 13 da Lei no 9.433, de 1997, e será fornecida em prazos a serem regulamentados
por decreto do Presidente da República. Art. 8o A ANA dará publicidade
aos pedidos de outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio da União,
bem como aos atos administrativos que deles resultarem, por meio de publicação
na imprensa oficial e em pelo menos um jornal de grande circulação na respectiva
região. CAPÍTULO
III Da Estrutura Orgânica da Agência Nacional de Águas - ANA Art.
9o A ANA será dirigida por uma Diretoria Colegiada, composta por cinco membros,
nomeados pelo Presidente da República, com mandatos não coincidentes de quatro
anos, admitida uma única recondução consecutiva, e contará com uma Procuradoria.
§ 1o O Diretor-Presidente da ANA será escolhido pelo
Presidente da República entre os membros da Diretoria Colegiada, e investido na
função por quatro anos ou pelo prazo que restar de seu mandato.
§ 2o Em caso de vaga no curso do mandato, este será completado por sucessor
investido na forma prevista no caput, que o exercerá pelo prazo remanescente.
Art. 10. A exoneração imotivada de dirigentes da ANA só poderá ocorrer
nos quatro meses iniciais dos respectivos mandatos. §
1o Após o prazo a que se refere o caput, os dirigentes da ANA somente perderão
o mandato em decorrência de renúncia, de condenação judicial transitada em julgado,
ou de decisão definitiva em processo administrativo disciplinar.
§ 2o Sem prejuízo do que prevêem as legislações penal e relativa à punição
de atos de improbidade administrativa no serviço público, será causa da perda
do mandato a inobservância, por qualquer um dos dirigentes da ANA, dos deveres
e proibições inerentes ao cargo que ocupa. § 3o
Para os fins do disposto no § 2o, cabe ao Ministro de Estado do Meio Ambiente
instaurar o processo administrativo disciplinar, que será conduzido por comissão
especial, competindo ao Presidente da República determinar o afastamento preventivo,
quando for o caso, e proferir o julgamento. Art. 11. Aos dirigentes
da ANA é vedado o exercício de qualquer outra atividade profissional, empresarial,
sindical ou de direção político-partidária. § 1o É vedado
aos dirigentes da ANA, conforme dispuser o seu regimento interno, ter interesse
direto ou indireto em empresa relacionada com o Sistema Nacional de Gerenciamento
de Recursos Hídricos. § 2o A vedação de que trata
o caput não se aplica aos casos de atividades profissionais decorrentes de vínculos
contratuais mantidos com entidades públicas ou privadas de ensino e pesquisa.
Art. 12. Compete à Diretoria Colegiada: I -
exercer a administração da ANA; II - editar normas sobre
matérias de competência da ANA; III - aprovar o regimento
interno da ANA, a organização, a estrutura e o âmbito decisório de cada diretoria;
IV - cumprir e fazer cumprir as normas relativas ao Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos; V - examinar
e decidir sobre pedidos de outorga de direito de uso de recursos hídricos de domínio
da União; VI - elaborar e divulgar relatórios sobre as
atividades da ANA; VII - encaminhar os demonstrativos contábeis
da ANA aos órgãos competentes; VIII - decidir pela venda,
cessão ou aluguel de bens integrantes do patrimônio da ANA; e
IX - conhecer e julgar pedidos de reconsideração de decisões de componentes da
Diretoria da ANA. § 1o A Diretoria deliberará por
maioria simples de votos, e se reunirá com a presença de, pelo menos, três diretores,
entre eles o Diretor-Presidente ou seu substituto legal.
§ 2o As decisões relacionadas com as competências institucionais da ANA,
previstas no art. 3o, serão tomadas de forma colegiada. Art. 13.
Compete ao Diretor-Presidente: I - exercer a representação
legal da ANA; II - presidir as reuniões da Diretoria Colegiada;
III - cumprir e fazer cumprir as decisões da Diretoria Colegiada;
IV - decidir ad referendum da Diretoria Colegiada as questões
de urgência; V - decidir, em caso de empate, nas deliberações
da Diretoria Colegiada; VI - nomear e exonerar servidores,
provendo os cargos em comissão e as funções de confiança;
VII - admitir, requisitar e demitir servidores, preenchendo os empregos públicos;
VIII - encaminhar ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos
os relatórios elaborados pela Diretoria Colegiada e demais assuntos de competência
daquele Conselho; IX - assinar contratos e convênios e
ordenar despesas; e X - exercer o poder disciplinar, nos
termos da legislação em vigor. Art. 14. Compete à Procuradoria
da ANA, que se vincula à Advocacia-Geral da União para fins de orientação normativa
e supervisão técnica: I - representar judicialmente a ANA,
com prerrogativas processuais de Fazenda Pública; II -
representar judicialmente os ocupantes de cargos e de funções de direção, inclusive
após a cessação do respectivo exercício, com referência a atos praticados em decorrência
de suas atribuições legais ou institucionais, adotando, inclusive, as medidas
judiciais cabíveis, em nome e em defesa dos representados;
III - apurar a liquidez e certeza de créditos, de qualquer natureza, inerentes
às atividades da ANA, inscrevendo-os em dívida ativa, para fins de cobrança amigável
ou judicial; e IV - executar as atividades de consultoria
e de assessoramento jurídicos. Art. 15. (VETADO) CAPÍTULO
IV Dos Servidores da ANA Art.
16. A ANA constituirá, no prazo de trinta e seis meses a contar da data de
publicação desta Lei, o seu quadro próprio de pessoal, por meio da realização
de concurso público de provas, ou de provas e títulos, ou da redistribuição de
servidores de órgãos e entidades da administração federal direta, autárquica ou
fundacional. § 1o Nos termos do inciso IX do art.
37 da Constituição, fica a ANA autorizada a efetuar contratação temporária, por
prazo não excedente a trinta e seis meses, do pessoal técnico imprescindível ao
exercício de suas atribuições institucionais. § 2o
Para os fins do disposto no § 1o, são consideradas necessidades temporárias de
excepcional interesse público as atividades relativas à implementação, ao acompanhamento
e à avaliação de projetos e programas de caráter finalístico na área de recursos
hídricos, imprescindíveis à implantação e à atuação da ANA. Art. 17.
A ANA poderá requisitar, com ônus, servidores de órgãos e entidades integrantes
da administração pública federal direta, autárquica e fundacional, quaisquer que
sejam as atribuições a serem exercidas. § 1o As
requisições para exercício na ANA, sem cargo em comissão ou função de confiança,
ficam autorizadas pelo prazo máximo de vinte e quatro meses, contado da instalação
da autarquia. § 2o Transcorrido o prazo a que se
refere o § 1o, somente serão cedidos para a ANA servidores por ela requisitados
para o exercício de cargos em comissão. § 3o Durante
os primeiros trinta e seis meses subseqüentes à instalação da ANA, as requisições
de que trata o caput deste artigo, com a prévia manifestação dos Ministros de
Estado do Meio Ambiente e do Planejamento, Orçamento e Gestão, serão irrecusáveis
e de pronto atendimento. § 4o Quando a cessão implicar
redução da remuneração do servidor requisitado, fica a ANA autorizada a complementá-la
até atingir o valor percebido no Órgão ou na entidade de origem. Art.
18. Ficam criados, com a finalidade de integrar a estrutura da ANA:
I - quarenta e nove cargos em comissão, sendo cinco cargos de Natureza Especial,
no valor unitário de R$ 6.400,00 (seis mil e quatrocentos reais), e quarenta e
quatro cargos do Grupo Direção e Assessoramento Superiores - DAS, assim distribuídos:
nove DAS 101.5; cinco DAS 102.5; dezessete DAS 101.4; um DAS 102.4; oito DAS 101.3;
dois DAS 101.2; e dois DAS 102.1; II - cento e cinqüenta
cargos de confiança denominados Cargos Comissionados de Recursos Hídricos - CCRH,
sendo: trinta CCRH - V, no valor unitário de R$ 1.170,00 (mil cento e setenta
reais); quarenta CCRH - IV, no valor unitário de R$ 855,00 (oitocentos e cinqüenta
e cinco reais); trinta CCRH - III, no valor unitário de R$ 515,00 (quinhentos
e quinze reais); vinte CCRH - II, no valor unitário de R$ 454,00 (quatrocentos
e cinqüenta e quatro reais); e trinta CCRH - I, no valor unitário de R$ 402,00
(quatrocentos e dois reais). § 1o O servidor investido
em CCRH exercerá atribuições de assessoramento e coordenação técnica e perceberá
remuneração correspondente ao cargo efetivo ou emprego permanente, acrescida do
valor da função para a qual tiver sido designado. §
2o A designação para função de assessoramento de que trata este artigo não
pode ser acumulada com a designação ou nomeação para qualquer outra forma de comissionamento,
cessando o seu pagamento durante as situações de afastamento do servidor,
inclusive aquelas consideradas de efetivo exercício, ressalvados os períodos a
que se referem os incisos I, IV, VI e VIII e alíneas a e e do inciso X do art.
102 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e o disposto no art. 471 da Consolidação
das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.
§ 3o A Diretoria Colegiada da ANA poderá dispor sobre
a alteração de quantitativos e a distribuição dos CCRH dentro da estrutura organizacional
da autarquia, observados os níveis hierárquicos, os valores da retribuição correspondente
e os respectivos custos globais. § 4o Nos primeiros
trinta e seis meses seguintes à instalação da ANA, o CCRH poderá ser ocupado por
servidores ou empregados requisitados na forma do art. 3o. CAPÍTULO
V Do Patrimônio e das Receitas Art.
19. Constituem patrimônio da ANA os bens e direitos de sua propriedade, os
que lhe forem conferidos ou que venha a adquirir ou incorporar. Art.
20. Constituem receitas da ANA: I - os recursos que
lhe forem transferidos em decorrência de dotações consignadas no Orçamento-Geral
da União, créditos especiais, créditos adicionais e transferências e repasses
que lhe forem conferidos; II - os recursos decorrentes
da cobrança pelo uso de água de corpos hídricos de domínio da União, respeitando-se
as formas e os limites de aplicação previstos no art. 22 da Lei no 9.433, de 1997;
III - os recursos provenientes de convênios, acordos ou contratos
celebrados com entidades, organismos ou empresas nacionais ou internacionais;
IV - as doações, legados, subvenções e outros recursos que
lhe forem destinados; V - o produto da venda de publicações,
material técnico, dados e informações, inclusive para fins de licitação pública,
de emolumentos administrativos e de taxas de inscrições em concursos;
VI - retribuição por serviços de quaisquer natureza prestados a terceiros;
VII - o produto resultante da arrecadação de multas aplicadas
em decorrência de ações de fiscalização de que tratam os arts. 49 e 50 da Lei
n° 9.433, de 1997; VIII - os valores apurados com a venda
ou aluguel de bens móveis e imóveis de sua propriedade;
IX - o produto da alienação de bens, objetos e instrumentos utilizados para a
prática de infrações, assim como do patrimônio dos infratores, apreendidos em
decorrência do exercício do poder de polícia e incorporados ao patrimônio da autarquia,
nos termos de decisão judicial; e X - os recursos decorrentes
da cobrança de emolumentos administrativos. Art. 21. As receitas
provenientes da cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União serão
mantidas à disposição da ANA, na Conta Única do Tesouro Nacional, enquanto não
forem destinadas para as respectivas programações. §
1o A ANA manterá registros que permitam correlacionar as receitas com as bacias
hidrográficas em que foram geradas, com o objetivo de cumprir o estabelecido no
art. 22 da Lei no 9.433, de 1997. § 2o As disponibilidades
de que trata o caput deste artigo poderão ser mantidas em aplicações financeiras,
na forma regulamentada pelo Ministério da Fazenda. §
3o (VETADO) § 4o As prioridades de aplicação
de recursos a que se refere o caput do art. 22 da Lei no 9.433, de 1997, serão
definidas pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, em articulação com
os respectivos comitês de bacia hidrográfica. CAPÍTULO
VI Disposições Finais e Transitórias Art.
22. Na primeira gestão da ANA, um diretor terá mandato de três anos, dois
diretores terão mandatos de quatro anos e dois diretores terão mandatos de cinco
anos, para implementar o sistema de mandatos não coincidentes. Art.
23. Fica o Poder Executivo autorizado a: I - transferir
para a ANA o acervo técnico e patrimonial, direitos e receitas do Ministério do
Meio Ambiente e de seus órgãos, necessários ao funcionamento da autarquia;
II - remanejar, transferir ou utilizar os saldos orçamentários
do Ministério do Meio Ambiente para atender às despesas de estruturação e manutenção
da ANA, utilizando, como recursos, as dotações orçamentárias destinadas às atividades
fins e administrativas, observados os mesmos subprojetos, subatividades e grupos
de despesas previstos na Lei Orçamentária em vigor. Art. 24. A
Consultoria Jurídica do Ministério do Meio Ambiente e a Advocacia-Geral da União
prestarão à ANA, no âmbito de suas competências, a assistência jurídica necessária,
até que seja provido o cargo de Procurador da autarquia. Art. 25.
O Poder Executivo implementará a descentralização das atividades de operação e
manutenção de reservatórios, canais e adutoras de domínio da União, excetuada
a infra-estrutura componente do Sistema Interligado Brasileiro, operado pelo Operador
Nacional do Sistema Elétrico - ONS. Parágrafo único.
Caberá à ANA a coordenação e a supervisão do processo de descentralização de que
trata este artigo. Art. 26. O Poder Executivo, no prazo de noventa
dias, contado a partir da data de publicação desta Lei, por meio de decreto do
Presidente da República, estabelecerá a estrutura regimental da ANA, determinando
sua instalação. Parágrafo único. O decreto
a que se refere o caput estabelecerá regras de caráter transitório, para vigorarem
na fase de implementação das atividades da ANA, por prazo não inferior a doze
e nem superior a vinte e quatro meses, regulando a emissão temporária, pela ANEEL,
das declarações de reserva de disponibilidade hídrica de que trata o art. 7o.
Art. 27. A ANA promoverá a realização de concurso público para preenchimento
das vagas existentes no seu quadro de pessoal. Art. 28. O art.
17 da Lei no 9.648, de 27 de maio de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 17. A compensação financeira pela utilização de recursos hídricos de
que trata a Lei no 7.990, de 28 de dezembro de 1989, será de seis inteiros e setenta
e cinco centésimos por cento sobre o valor da energia elétrica produzida, a ser
paga por titular de concessão ou autorização para exploração de potencial hidráulico
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios em cujos territórios se localizarem
instalações destinadas à produção de energia elétrica, ou que tenham áreas invadidas
por águas dos respectivos reservatórios, e a órgãos da administração direta da
União." (NR) "§ 1o Da compensação financeira de que trata o caput:"
(AC)* "I - seis por cento do valor da energia produzida serão distribuídos
entre os Estados, Municípios e órgãos da administração direta da União, nos termos
do art. 1o da Lei no 8.001, de 13 de março de 1990, com a redação dada por esta
Lei;" (AC) "II - setenta e cinco centésimos por cento do valor da
energia produzida serão destinados ao Ministério do Meio Ambiente, para aplicação
na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e do Sistema Nacional
de Gerenciamento de Recursos Hídricos, nos termos do art. 22 da Lei no 9.433,
de 8 de janeiro de 1997, e do disposto nesta Lei." (AC) "§ 2o A
parcela a que se refere o inciso II do § 1o constitui pagamento pelo uso de recursos
hídricos e será aplicada nos termos do art. 22 da Lei no 9.433, de 1997."
(AC) Art. 29. O art. 1o da Lei no 8.001, de 13 de março de 1990,
com a redação dada pela Lei no 9.433, de 1997, passa a vigorar com a seguinte
redação: "Art. 1o A distribuição mensal da compensação financeira de
que trata o inciso I do § 1o do art. 17 da Lei no 9.648, de 27 de maio de 1998,
com a redação alterada por esta Lei, será feita da seguinte forma:" (NR)
"I - quarenta e cinco por cento aos Estados;" "II - quarenta
e cinco por cento aos Municípios;" "III - quatro inteiros e quatro
décimos por cento ao Ministério do Meio Ambiente;" (NR) "IV - três
inteiros e seis décimos por cento ao Ministério de Minas e Energia;" (NR)
"V - dois por cento ao Ministério da Ciência e Tecnologia." "§
1o Na distribuição da compensação financeira, o Distrito Federal receberá o montante
correspondente às parcelas de Estado e de Município." "§ 2o
Nas usinas hidrelétricas beneficiadas por reservatórios de montante, o acréscimo
de energia por eles propiciado será considerado como geração associada a estes
reservatórios regularizadores, competindo à ANEEL efetuar a avaliação correspondente
para determinar a proporção da compensação financeira devida aos Estados, Distrito
Federal e Municípios afetados por esses reservatórios." (NR) "§
3o A Usina de Itaipu distribuirá, mensalmente, respeitados os percentuais definidos
no caput deste artigo, sem prejuízo das parcelas devidas aos órgãos da administração
direta da União, aos Estados e aos Municípios por ela diretamente afetados, oitenta
e cinco por cento dos royalties devidos por Itaipu Binacional ao Brasil, previstos
no Anexo C, item III do Tratado de Itaipu, assinado em 26 de março de 1973, entre
a República Federativa do Brasil e a República do Paraguai, bem como nos documentos
interpretativos subseqüentes, e quinze por cento aos Estados e Municípios afetados
por reservatórios a montante da Usina de Itaipu, que contribuem para o incremento
de energia nela produzida." (NR) "§ 4o A cota destinada ao Ministério
do Meio Ambiente será empregada na implementação da Política Nacional de Recursos
Hídricos e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e na gestão
da rede hidrometeorológica nacional." (NR) "§ 5o Revogado."
Art. 30. O art. 33 da Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997, passa
a vigorar com a seguinte redação: "Art. 33. Integram o Sistema Nacional
de Gerenciamento de Recursos Hídricos:" "I - o Conselho Nacional
de Recursos Hídricos;" "I-A. - a Agência Nacional de Águas;"
(AC) "II - os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito
Federal;" "III - os Comitês de Bacia Hidrográfica;" "IV
- os órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais
cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos;" (NR)
"V - as Agências de Água." Art. 31. O inciso IX do art.
35 da Lei no 9.433, de 1997, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.
35. ...................................................................................................................................
............................................................................................................................................"
"IX - acompanhar a execução e aprovar o Plano Nacional de Recursos Hídricos
e determinar as providências necessárias ao cumprimento de suas metas; "
(NR) "............................................................................................................................................"
Art. 32. O art. 46 da Lei no 9.433, de 1997, passa a vigorar com a
seguinte redação: "Art. 46. Compete à Secretaria Executiva do Conselho
Nacional de Recursos Hídricos:" "I - prestar apoio administrativo,
técnico e financeiro ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos;" "II
- revogado;" "III - instruir os expedientes provenientes dos Conselhos
Estaduais de Recursos Hídricos e dos Comitês de Bacia Hidrográfica;"
"IV - revogado;" "V - elaborar seu programa de trabalho e respectiva
proposta orçamentária anual e submetê-los à aprovação do Conselho Nacional de
Recursos Hídricos." Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data
de sua publicação. Brasília, 17 de julho de 2000; 179o da Independência
e 112o da República. MARCO ANTONIO DE OLIVEIRA MACIEL Edward Joaquim
Amadeo Swaelen Marcus Vinicius Pratini de Moraes Rodolpho Tourinho Neto
Martus Tavares José Sarney Filho |