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UNIDADES
DE CONSERVAÇÃO Decreto
n.º 90.883, de 31 de Janeiro de 1985 Dispõe sobre a implantação da área de
Proteção Ambiental de Guaraqueçaba, no Estado do Paraná, e dá outras providências.
O Presidente da República, no uso
das atribuições que lhe confere o artigo 81, item III, da Constituição Federal,
e tendo em vista o que dispõe o artigo 8º, da Lei n.º 5.902, de 27 de abril de
1981, bem como a Lei n.º 6.938, de 31 de agosto de 1981, e os Decretos n.ºs 88.351,
de 01 de junho de 1983, e 89.532 de 06 de abril de 1934,.
*Os Decretos
88.351 e 89.532 foram revogados pelo Decreto n.º 99.274 de 06/06/90. Decreta: Art.
1.º - Fica declarada Área de Proteção Ambiental (APA), denominada Guaraqueçaba,
localizada nos Municípios de Guaraqueçaba, Antonina e Paranaguá, no Estado do
Paraná, com o objetivo de assegurar a proteção de uma das últimas áreas representativas
da Floresta Pluvial Atlântica, onde encontra-se espécies raras e ameaçadas de
extinção, e complexo estuarino da Baía de Paranaguá, os sítios arqueológicos (sambaquis),
as comunidades caiçaras integrados no ecossistema regional, bem como controlar
o uso de agrotóxicos e demais substâncias químicas e estabelecer critérios racionais
de uso e ocupação do solo na região. Art.
2.º - A APA de Guaraqueçaba tem também por finalidade proteger o entorno da
Estação Ecológica de Guaraqueçaba. Art.
3.º - A APA de Guaraqueçaba limita-se Norte com o Parque Estadual de Jacupiranga,
ao Sul com o Município de Paranaguá, a oeste com o Parque Estadual do Marumbí
e a leste com o Oceano Atlântico, e apresenta a seguinte delimitação: Inicia-se
no cruzamento do Rio São Sebastião com a Rodovia Federal BR-116 no ponto de coordenadas
UTM 7222000,000 N e 728675,000 E (ponto 00); deste ponto segue em direção Leste
pela Rodovia Federal BR 116 até o cruzamento com o Rio Pardinho no ponto de coordenadas
UTM 7226250,000 N e 746100,00 E (ponto 01); deste ponto segue em direção Leste
pelo limite do Parque Estadual de Jacupiranga até o ponto mais avançado em direção
Sudoeste deste Parque, de coordenadas UTM 7205627,306 N e 792949,609 E (ponto
02); deste ponto segue inicialmente em direção Leste até o ponto de coordenadas
UTM 7207671,427 N e 799364,396 E (ponto 03); deste ponto segue em direção Sudoeste
pela divisa dos Estados de São Paulo e Paraná até o ponto mais avançado em direção
do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, no ponto de coordenadas 7197398,330 N e
791939,984 E (ponto 04); deste ponto segue por linha reta em direção Sudoeste
cruzando a barra do arrapira até o ponto mais avançado em direção Leste da Ilha
do Superagui, no ponto de coordenadas UTM 7195669,598 N e 792511,044 E (ponto
05); deste ponto segue em direção Sudoeste pela linha da marés médias da praia
Deserta até o ponto mais avançado em direção Sul da Ilha da Superagui, de coordenadas
UTM 7180429,517 N e 780145,881 E (Ponto 06); deste ponto segue em linha reta em
direção Oeste Cruzando o Canal Superagui até o ponto mais avançado em direção
Leste da Ponta do Superagui, localizado ao Sul da Ilha das Peças, de coordenadas
7180556,837 N e 776479,141 E (ponto 07); deste ponto segue inicialmente em direção
Sudoeste pela costa do extremo Sul da Ilha das Peças até o ponto mais avançado
em direção Sul deste ilha, de coordenadas UTM 7178314,854 N e 771363,545 E (ponto
08); deste ponto segue em linha reta em direção Oeste cruzando o Canal do Norte
até o ponto mais avançado em direção Sul da Ilha das Cobras no ponto de coordenadas
UTM 7178485,381 N e 758339,512 (ponto 09); deste ponto segue em linha reta em
direção Oeste até a Ilha do Gererê passando pela Pedra da Polangana até o ponto
de coordenadas UTM 7179320,344 N e 743163,464 E (ponto 10); deste ponto segue
em linha reta em direção Oeste pela Baía de Paranaguá até o ponto mais avançado
em direção em direção Norte da Ponta da Ilha do Teixeira, no ponto de coordenadas
UTM 7179648,518 N e 736852,221 E (ponto 11); deste ponto segue em linha reta em
direção Noroeste pela Baía de Antonina até o ponto mais avançado em direção Norte
do ponto do Felix, no ponto de coordenadas 7182437,237 N e 733460,563 E (ponto
12); deste ponto segue em direção Noroeste ao longo da costa continental da Baía
de Antonina até a foz do rio Xaxim, no ponto de coordenadas 7189284,361 N e 727818,779
E (ponto 13); deste ponto segue à montante pelo Rio Xaxim até o cruzamento com
a Rodovia Federal BR-101, no ponto de coordenadas 7183344,617 N e 723292,135 E
(ponto 14); deste ponto segue em direção Norte pela Rodovia Federal BR-101 até
encontrar o limite Leste do Parque Marumbi no ponto de coordenadas 7202126,155
N e 728385,571 E (ponto 15); deste ponto segue em direção Norte pelo limite Leste
do Parque Estadual do Marumbi até o ponto mais avançado em direção Norte deste
Parque. ponto inicial e de fechamento deste perímetro. Parágrafo único - ficam
incluídos na APA de Guaraqueçaba, as águas interiores contidas no perímetro acima
descrito, bem como as seguintes Ilhas: Ilha do Lesa, Ilha do Corisco, Ilha do
Pastinho, Ilha Baixa Grande, Ilha das Rosas, Ilha Guamiranga de Fora, Ilha Guamiranga
de Dentro, Ilha da Ponta Grossa, Ilha do Gererê, Ilha do Lamin, Ilha Guará, Ilha
Bingua, Ilha das Cobras, Ilha das Bananas, Ilha Grande, Ilha dos Porcos, Ilha
do Benito, Ilha Rosa, Ilhas das Gamelas, Ilha das Peças, Ilha do Superagui e Ilha
da Galheta. *
Incluído pelo decreto n.º 93053 de 31/07/86. Art.
4.º - Fica excluída da APA de Guaraqueçaba a cidade de Guaraqueçaba cujo perímetro
inicia-se na foz do Rio Cerquinha (ponto 00); deste ponto segue à montante pelo
Rio Cerquinha até o cruzamento com a curva de nível de cota altimétrica 40 (quarenta)
metros (ponto 01); deste ponto segue em linha reta 67º Rumo Noroeste até o ponto
mais elevado do Morro do Franco (ponto 02); deste ponto segue em linha reta 90º
rumo Oeste até encontrar a costa continental da Baía de Guaraqueçaba (ponto 03);
deste ponto segue em direção Sul ao longo da costa continental da Baía de Guaraqueçaba
até a Foz do Rio Cerquinha, ponto inicial e de fechamento deste perímetro. Art.
5.º - Na implantação e funcionamento da APA de Guaraqueçaba, serão adotadas,
entre outras, as seguintes medidas: I - o procedimento
de zoneamento da APA, através de Portaria da Secretaria Especial do Meio Ambiente
- SEMA, do Ministério do Interior, em articulação com a Superintendência de Recursos
Hídricos e Meio Ambiente SUREHMA, entidade ambiental do Paraná, a Secretaria de
Agricultura, do Estado do Paraná, através do Instituto de Terra e Cartografia
- ITC, a Secretaria de Planejamento, do Estado do Paraná, através da Fundação
Instituto Paranaense Desenvolvimento Econômico e Social - IPARDES e a Prefeitura
Municipal de Guaraqueçaba, indicando as atividades a serem encorajadas ou incentivadas
em cada zona, bem como as que deverão ser limitadas, restringidos ou proibidas,
de acordo com a legislação aplicável;
II - a utilização dos instrumentos legais e dos incentivos financeiros governamentais,
para assegurar a proteção de Zonas de Vida Silvestre, o uso racional do solo e
outras medidas referentes à salvaguarda dos recursos ambientais;
III - a aplicação, quando for necessária, de medidas legais destinadas a impedir
ou evitar o exercício de atividades causadoras de sensível degradação da qualidade
ambiental; IV - a divulgação das medidas previstas neste
Decreto objetivando o esclarecimento da comunidade local sobre a APA e suas finalidades. Art.
6º - Na APA de Guaraqueçaba ficam proibidas ou restringidas:
I - a implantação de atividades indústrias potencialmente poluidoras, capazes
de afetar mananciais de água; II - a realização de obras
de terraplanagem e a abertura de canais, quando essas iniciativas importarem em
sensível alteração das condições ecológicas locais, principalmente das Zonas de
Vida Silvestre, onde a biota será protegida com mais rigor;
III - o exercício de atividades capazes de provocar acelerada erosão das terras
ou acentuado assoreamento das coleções hídricas; IV - o
exercício de atividades que ameacem extinguir as espécies raras da biota, regional,
principalmente o papagaio-de-rabo-vermelho, macuco, jão, jacutinga, onça pintada,
jacaré-de-papo-amarelo; V - o uso de biocidas, quando indiscriminado
ou em desacordo com as normas ou recomendações técnicas oficiais.
§ 1.º - Em caso de epidemias veiculadas por animais silvestres, a Secretaria
de Saúde do Estado do Paraná poderá, em articulação com a SEMA, promover programas
especiais para o controle dos referidos vetores.
§ 2.º - A abertura de vias de comunicação, de canais, e a implantação de
projetos de urbanização, sempre que importarem, na realização de obras de terraplanagem,
bem como a realização de grandes escavações e obras que causem alterações ambientais
dependerão de autorização prévia da SEMA, que somente poderá concedê-la:
I - após a realização de estudo do projeto e exame das alternativas possíveis;
II - após a realização de estudos das
conseqüências ambientais, e da ocorrência de deslizamento do solo e outros processos
erosivos provocados pelas obras;
III - mediante a indicação das restrições e medidas, consideradas necessárias
à salvaguarda dos ecossistemas atingidos. § 3.º -
As autorizações concedidas pela SEMA não dispensam outras autorizações e licenças
federais, estaduais e municipais exigíveis. § 4.º -
Para melhor controlar seus efluentes e reduzir o potencial poluidor das construções
destinadas a uso humano, não serão permitidas:
a) a construção de edificações em terrenos que não comportarem pelas suas dimensões
e outras características, à existência simultânea de poços de abastecimento d'água
e poços para o despejo de fossas sépticas, quando não houver rede de coleta e
estações de tratamento de esgoto em funcionamento;
b) o despejo, no mar e em outros corpos receptores, de esgotos e outros afluentes
sem o tratamento adequado que impeça à contaminação das águas.
§ 5.º - Visando a impedir a pesca predatória, nas águas marítimas ou interiores
da APA e nas suas proximidades, será rigorosamente exigido o cumprimento da legislação
pertinente da Superintendência do Desenvolvimento da Pesca - SUDEPE.
§ 6.º - Para os efeitos do artigo 2.º, letras "b" e "c",
da Lei n.º 4.771, de 15 de setembro de 1965 e do artigo 18 da Lei n.º 6.938 de
31 de agosto de 1981, consideram-se como de preservação permanente o entorno das
nascentes e olhos d'água, num raio de 60 metros. § 7.º
- Não será permitida a retirada de areia e material rochoso, nem admitidos
construções de qualquer natureza, exceto embarcadouros, nos terrenos de marinha
e acrescidos, definidos nos artigos 2.º e 3.º do Decreto-Lei n.º 9.760, de 5 de
setembro de 1946. Art.
7.º - Ficam estabelecidas, na APA de Guaraquecaba, Zonas de Vida Silvestre
distintas, prioritariamente, à salvaguarda da biota nativa, para garantia da reprodução
das espécies, proteção dos "habitats" das espécies raras, endêmicas,
em perigo e ameaçados de extinção. § 1.º - As Zonas
de Vida Silvestres terão as seguintes delimitações:
I - faixa de terras localizadas entre o Parque Estadual de Jacupiranga, no Estado
de São Paulo e o Parque Estadual do Marumbí, no Estado do Paraná: Inicia-se
no ponto de coordenadas UTM 7220700 N e 729875 E, situado a um quilômetro da rodovia
BR 116 no Rio São Sebastião (Ponto 00); deste ponto, segue em direção Leste pela
linha situada a 1 (um) quilômetro de distância da Rodovia Federal BR-116 até encontrar
o limite do Parque Estadual de Jacupiranga, no ponto de coordenadas UTM 7225350
N e 746375 E (ponto 1); deste ponto segue em direção Sudeste, pelo limite deste
Parque, até o cruzamento com a curva de nível de cota altimétrica de 120 metros,
próximo à localidade de Batuva (ponto 2); deste ponto segue em direção Oeste pela
curva de nível de cota altimétrica 120 metros, até o cruzamento com a Rodovia
Estadual BR-405 (ponto 03); deste ponto segue em linha reta em direção Sudeste,
até o cruzamento da curva de cota altimétrica 120 metros com o Rio Faísqueira
(ponto 04); deste ponto, segue em direção Noroeste, pela curva de nível de cota
altimétrica de 120 metros, até o cruzamento com o Rio São Sebastião (ponto 5):
deste ponto segue a montante, pelo Rio São Sebastião, coincidindo com o limite
Leste do Parque Estadual do Marumbi, até o ponto inicial e de fechamento deste
perímetro. II - Faixa de terra localizada na Serra do Itinga;
Inicia-se no cruzamento da curva de nível de cota altimétrica 120 metros, com
o limite Sul do Parque Estadual de Jacupiranga, próximo ao Morro do Costa (ponto
00); deste ponto, segue pela curva de nível de cota altimétrica 120 metros, até
o ponto de coordenadas UTM 771960 E e 7201400 N (ponto 01); deste ponto segue
em linha reta 67º, rumo Noroeste, até o ponto mais elevado do Morro do Franco
(ponto 02); deste ponto, segue em linha reta, 90º Rumo Oeste, até encontrar a
curva de nível de cota altimétrica 120 metros (ponto 03); deste ponto, segue pela
cota até o cruzamento com o limite Oeste do Parque Estadual de Jacupiranga, próximo
ao Morro da Cataia (ponto 04); deste ponto, segue em direção Sul, pelo limite
Oeste do Parque, até o ponto inicial e de fechamento deste perímetro.
III - Todos os minerais existentes dentro do limite da APA de Guaraqueçaba.
IV - As ilhas descriminadas a seguir: Área 1: situada entre
as latitudes 7201000,000 N e 7201500,000 N Sul, e as longitudes 760000,000 E e
759150,000 N Oeste, onde está inscrita a Ilha do Benito. Área 2: Situada entre
as latitudes 7200000 N e 7200500 N Sul e as longitudes 759150 E e 759750 E Oeste,
onde está inscrita a Ilha dos Porcos. Área 3: situada entre as latitudes 7196250
N e 7197150 N Sul e as longitudes 7635000 N e 76250 N Oeste, onde está inscrita
a Ilha Grande. V - Os Morros da Paca, Canudal e Superagui,
a partir da curva de nível de cota altimétrica de 20 metros, localizados na Ilha
do Superagui. VI - Os sítios arqueológicos, testemunhos
da cultura dos paleomeríndios do Brasil, comumente Chamados Sambaquis (Lei n.º
3.924, de 26 de julho de 1961). § 2.º - As zonas
de Vida Silvestre compreenderão também as áreas mencionadas no artigo 18, da Lei
n.º 6.938, de 31 de agosto de 1981, as quais, quando forem de domínio privado,
serão consideradas como Reservas Ecológicas Particulares ou como Áreas de Preservação
Permanente, de acordo com o artigo 3.º da Lei. n.º 4.771, de 15 de setembro de
1965. § 3.º - Visando à proteção da biota
não serão permitidas nessas zonas:
I - a construção de edificações, exceto as destinadas à realização de pesquisas
da área; II - atividades potencialmente
causadoras de degradação ambiental e não previamente autorizadas pelo SEMA, inclusive
o porte de armas de fogo e de artefatos ou instrumentos de destruição de biota. Art.
8º - As penalidades previstas nas Leis n. º 6.902, de 27 de abril de 1981
e n.º 6.938, de 31 de agosto de 1981, serão aplicadas, pela SEMA, aos transgressores
das disposições deste Decreto, com vistas ao cumprimento das medidas preventivas,
necessárias à preservação da qualidade ambiental. Art.
9.º - A APA de Guaraqueçaba será supervisionada, administrada e fiscalizada
pela SEMA, com a colaboração da entidade de controle ambiental do Estado do Paraná
- Superintendência de Recursos Hídricos de Meio Ambiente - SUREHMA, do Instituto
de Terras e Cartografia - ITC, da Prefeitura de Guaraqueçaba e Capitania dos Portos
do Estado do Paraná, do Ministério da Marinha. Art.
10 - Visando à realização dos objetivos previstos para a APA de Guaraqueçaba,
bem como para definir as atribuições e competência no controle de suas atividades,
a SEMA poderá firmar convênios com órgão e entidades públicas ou privadas, sem
prejuízo de sua competência supletiva. Art.
11 - Os investimentos e a concessão de financiamentos e incentivos da Administração
Pública Federal Direta ou Indireta, destinados à APA de Guaraqueçaba, serão previamente
compatibilizados com as diretrizes estabelecidas neste Decreto. Art.
12 - Dos atos e decisões da SEMA referentes à APA de Guaraqueçaba caberá recurso
ao Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA. Art.
13 - A SEMA poderá designar, através de Portaria, um Grupo de Assessoramento
Técnico (GAT), parta implementação das atividades de administração, zoneamento
e fiscalização da APA de Guaraqueçaba. Art.
14 - A SEMA expedirá as instruções normativas necessárias ao bom cumprimento
deste Decreto. Art.
15 - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação revogadas as
disposições em contrário. |